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O acompanhamento realizado desde o dia 6 de julho pelo Observatório Brasileiro de Mídia sobre como os jornais – Folha de São Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, Jornal do Brasil e Correio Braziliense -,  vêm cobrindo a eleição presidencial, tem constatado desequilíbrio na maneira como as candidaturas vêm sendo abordadas.

Exposição:

No conjunto das 13 semanas de campanha que antecederam ao primeiro turno houve desequilíbrio na maneira como os jornais pesquisados cobriram as candidaturas: o candidato Lula foi o que teve maior número de reportagens publicadas a seu respeito, estando sua candidatura mais exposta à sociedade do que as demais.

A exposição percentual das candidaturas é estabelecida sobre o conjunto de reportagens dedicadas aos candidatos e ao presidente Lula, em cada semana.

Nas duas últimas semanas que antecederam o segundo turno a candidatura Lula teve aumento no percentual de reportagens, pulando de 37,6% para 61,3% (16/09 a 22/09) e 71,3% na última semana de campanha do 1º turno.

A candidatura Alckmin sempre teve menor exposição do que a candidatura do petista, nas duas últimas semanas do primeiro turno o desequilíbrio aumentou, pois, nesse período, o tucano teve, respectivamente, 10,2% e 14,1% de exposição.

Nas duas semanas que antecederam o primeiro turno, a candidatura Lula teve cinco vezes mais reportagens do que a candidatura Alckmin. Entre os dias 16/9 e 22/9 Lula teve 349 reportagens e Alckmin 58. Entre os dias 23/9 e 29/9, a candidatura petista teve 388 reportagens e a candidatura tucana 77.

Durante as 13 semanas que antecederam a votação do primeiro turno o percentual de exposição da candidatura Lula só foi menor do que 30% em três delas. Nesse mesmo período, o candidato Geraldo Alckmin teve como teto de exposição um índice de 25%.

A pesquisa ainda revela que, em apenas uma semana, mas em períodos diferentes, os jornais Folha de São Paulo, O Estado de S. Paulo, JB e Correio Braziliense, dedicaram menos reportagens à candidatura de Lula em relação aos demais candidatos. Porém no O Globo, durante todo o período pesquisado, o petista teve mais reportagens a respeito de sua candidatura do que os demais.

Assim como o candidato, o presidente Lula também teve maior exposição do que Geraldo Alckmin, Heloísa Helena e Cristovam Buarque.
 
Durante as 13 semanas, o presidente Lula só teve menor percentual de reportagem do que Alckmin em duas semanas: entre os dias 12/08 e 18/08, quando Alckmin teve 24,7% e o presidente Lula 22,4% e na última semana anterior ao primeiro turno, quando Alckmin teve 14,1% e o presidente Lula 9,5% de exposição.

No restante do período as reportagens sobre o presidente Lula disputaram com o candidato Lula a maior exposição no conjunto dos jornais pesquisados.


Qualidade da Exposição:

Além de maior exposição, a candidatura do petista, durante todo o primeiro turno, teve percentual positivo de reportagem sempre menor que o de Alckmin.


Em relação ao percentual negativo de reportagem, a situação dos candidatos é inversa: Alckmin, 57,6%; em apenas uma semana, entre os dias 19/08 a 25/08, teve percentual maior do que Lula: 55,7%; nas demais semanas, teve percentual menor do que Lula, com destaque para as duas últimas que antecederam a votação, quando o percentual da candidatura tucana caiu significativamente e o percentual do petista subiu, também de maneira significativa.


Ao analisar os gráficos encontramos um visível desequilíbrio: no conjunto dos cinco jornais, o candidato Lula tem tido um percentual negativo de reportagem sempre maior do que positivo. Nas últimas sete semanas que antecederam a votação do primeiro turno, do total de reportagens sobre a candidatura Lula, o percentual de positivas tem sido sempre menor do que 30%, enquanto o percentual de negativas se mostra sempre acima de 50%.


Nos jornais, individualmente, tem se verificado a mesma tendência de maior percentual de reportagens negativas do que positivas à candidatura Lula, com variações entre uma semana ou outra, quando há inversão.

Em relação às reportagens referentes ao presidente Lula a situação é semelhante. O percentual de reportagens positivas tem sido sempre maior do que o de negativas, em todo o período pesquisado, com exceção para a semana compreendida pelos dias 05/08 a 11/08, quando o percentual positivo (44,3%) foi maior do que o negativo (38%).

Nas outras semanas, as reportagens positivas sobre o presidente tiveram como teto 34,1%, índice verificado no período entre 08/07 e 14/07. Já o menor percentual de negativas foi de 49,6%, verificado na semana entre 09/09 e 15/09.


Situação Inversa:

Em relação à candidatura Alckmin, a tendência da cobertura feita pelos 5 jornais, no seu conjunto, é praticamente inversa ao que ocorre com a candidatura Lula. Durante as 13 semanas pesquisadas, em apenas duas delas o candidato tucano teve percentual positivo de reportagem menor do que o negativo. Isto ocorreu entre os dias 19/08 e 25/08, quando Alckmin teve 28,2% de positivo e 57,6% de reportagens negativas. E entre os dias 26/08 e 01/09, quando o tucano teve 40% de reportagens positivas e 45,3% de negativas.


A candidata Heloísa Helena teve a 4ª posição em matéria de exposição nos jornais e teve mais reportagens positivas do que negativas durante todas as semanas que antecederam a votação em 1º de outubro. Nas duas últimas semanas anteriores a 1º de outubro, a candidata do PSOL subiu seu percentual neutro de reportagem, superando o percentual positivo.


Já Cristovam Buarque aparece com um percentual de reportagem muito menor, em relação aos outros candidatos. A exposição do pedetista nunca foi maior que 6,4%. Em 9, das 13 semanas, o candidato teve percentual de exposição menor ou igual a 5%.

Apenas em duas semanas o candidato teve maior percentual negativo de reportagem do que positivo, o que ocorreu entre os dias 22/07 e 28/07, quando obteve 31,6% de positivas e 52,6% de negativas. Entre os dias 02/09 e 08/09, foram 16,6% de positivas e 41,7% de negativas.


Conclusões:

No conjunto das 13 semanas pesquisadas é possível identificar o seguinte quadro:

  1. Há desigualdade de tratamento das candidaturas;

  2. A qualidade da exposição do candidato Lula e do presidente Lula são muito negativas. Durante todo o período pesquisado o presidente e o candidato tiveram muito mais reportagens negativas do que positivas. O leitor que acompanhou a cobertura das eleições recebeu muito mais informações negativas sobre Lula do que de qualquer outro candidato;

  3. O candidato Lula e o presidente Lula têm, inclusive, maior exposição nos jornais, o que reforça a qualidade negativa da exposição;

  4. A alta exposição e a predominância de reportagens negativas do petista cria uma percepção ruim da candidatura, uma vez que houve semanas (26/08 a 01/09) em que o número de reportagens negativas dedicadas ao candidato Lula foi três vezes o número de reportagens negativas ao candidato Geraldo Alckmin;

  5. Durante as duas últimas semanas que antecederam o primeiro turno houve aumento do desequilíbrio na cobertura das candidaturas. Nesse período, Lula teve os maiores percentuais de exposição, Alckmin e Heloísa Helena, os menores;

  6. Nas duas últimas semanas que antecederam a votação, aumentou o percentual negativo de reportagem referente a Lula, e diminui o percentual negativo de reportagem referente a Alckmin;

  7. Em relação às matérias positivas, Lula teve seus menores percentuais nas duas semanas que antecederam o dia 1º de outubro, e Alckmin reverteu tendência de queda no percentual positivo.

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