O acompanhamento de mídia: jornais
Relatório da cobertura entre os dias 07/10 e 13/10.
Relatório sobre reportagens dos jornais Folha, Estado, Globo, Correio Braziliense e JB em relação aos candidatos Lula, Alckmin. Também foram observadas as reportagens referentes ao presidente Lula. O número de reportagens dedicadas aos dois candidatos tem sido equilibrado? Quem tem tido mais matérias positivas, negativas e neutras?
O acompanhamento sistemático da cobertura eleitoral das candidaturas de Lula, Geraldo Alckmin, Heloísa Helena e Cristovam Buarque nos cinco jornais, foi realizado desde 6 de julho deste ano até a realização do primeiro turno das eleições presidenciais e possibilita avaliação semanal dos seguintes dados:
quantas matérias foram dedicadas nesses jornais - em conjunto e isoladamente – às quatro candidaturas e a cada uma delas;
quantas foram positivas, negativas ou neutras para cada candidato;
como esses dados têm evoluído semana a semana.
Estes relatórios referentes ao primeiro turno estão disponíveis no site.
Observação metodológica: diferente do primeiro turno, quando as reportagens tratavam cada uma das candidaturas separadamente, neste segundo turno a maioria das matérias referentes às candidaturas abordam-nas conjuntamente, normalmente contrapondo uma a outra. Aqui são quantificadas as “abordagens” – parágrafos, boxes, etc – dedicadas a cada candidato, independentemente do número de matérias.
Para ver essas análises em forma de gráficos, clique aqui.
Os Cinco jornais:
Entre os dias 07/10 e 13/10 os cinco jornais dedicaram 533 abordagens à cobertura dos dois candidatos e ao Presidente Lula. O candidato Lula teve 315 (59,1%); Alckmin, 203 (38,1%). O presidente Lula teve 15 (2,8%) abordagens.
Sobre a totalidade de abordagens de cada candidato, Lula teve 27,3% de positivas; 27,6% de neutras e 45,1% de negativas.
Sobre o total de abordagens dedicadas a sua candidatura, Alckmin teve 27,1% de positivas; 30,5% de neutras e 42,4% de negativas.
O presidente Lula teve 6,7% de abordagens positivas; 20% de neutras e 73,3% de negativas.
Todos os jornais |
Negativo % |
Neutro% |
Positivo% |
Alckmin |
42,4 |
30,5 |
27,1 |
Lula |
45,1 |
27,6 |
27,3 |
Lula Presidente |
73,3 |
20 |
6,7 |
Por jornal, a situação foi a seguinte:
Folha
A Folha dedicou 103 abordagens à cobertura dos dois candidatos. Lula teve maior número de abordagens 60 (58,3%); seguido de Alckmin 40 (38,8%). O presidente Lula teve 3 (2,9%) abordagens.
Do total de abordagens para cada candidato, Lula teve 25% de positivas; 31,7% de neutras e 43,3% de abordagens negativas.
Sobre o total de abordagens a sua candidatura, Alckmin teve 27,5% de positivas; 32,5% de neutras e 40% de negativas.
O presidente Lula teve 33,3% de abordagens positivas e 66,7% de negativas.
Estado
O Estado dedicou 75 abordagens à cobertura dos dois candidatos. Lula teve maior número: 45 (60%); seguido de Alckmin 27 (36%). O presidente Lula teve 3 (4%) abordagens.
Das abordagens dedicadas a cada candidato, Lula teve 28,9% de positivas; 6,7% de neutras e 64,4% de negativas.
Da totalidade de abordagens para cada candidato, Alckmin teve 33,3% de positivas; 7,4% de neutras e 59,3% de negativas.
O presidente Lula teve 100% de abordagem negativa.
Globo
O Globo dedicou 122 abordagens à cobertura dos dois candidatos. Lula teve maior número: 77 (63,1%); seguido de Alckmin com 41 (33,6%). O presidente Lula teve 4 (3,3%) abordagens.
Do total de abordagens para cada candidato, Lula teve 33,8% de positivas; 20,8% de neutras e 45,4% de negativas.
Sobre o total de abordagens dedicadas a sua candidatura, Alckmin teve 31,7% de positivas; 19,5% de neutras e 48,8% de negativas.
O presidente Lula teve 100% de abordagem negativa.
JB
O JB dedicou 87 abordagens à cobertura dos dois candidatos. Lula teve maior número: 48 (55,2%); seguido de Alckmin com 36 (41,4%). O presidente Lula teve 3 (3,4%) abordagens.
Sobre a quantidade de abordagens de cada candidato, Lula teve 16,7% de positivas; 37,5% de neutras e 45,9% de negativas.
Sobre o total de abordagens dedicadas a sua candidatura, Alckmin teve 30,6% de positivas; 41,7% de neutras e 27,8% de negativas.
O presidente Lula não teve abordagem positiva. Do total de abordagens dedicadas ao presidente; 66,7% foram neutras e 33,3% negativas.
Correio Braziliense
O Correio dedicou 146 abordagens à cobertura dos dois candidatos. Lula teve maior número: 85 (58,2%); seguido de Alckmin com 59 (40,4%). O presidente Lula teve 2 (1,4%) abordagens.
Das abordagens dedicadas a cada candidato, Lula teve 28,2% de positivas; 36,5% de neutras e 35,3% de negativas.
Sobre o total de abordagens dedicadas a sua candidatura, Alckmin teve 18,6% de positivas, 40,7% de neutras e 40,7% de negativas.
O presidente Lula teve 50% de abordagem neutra e 50% de abordagem negativa.
Comentários
No conjunto dos cinco jornais, durante os dias 7 e 13 de outubro, ocorreu o seguinte:
A exemplo do que vem ocorrendo desde o dia 6 de julho, o número de reportagens dedicadas ao candidato Lula, 315 (59,1%); continua sendo maior do que o candidato Alckmin, 203 (38,1%). Em relação a primeira semana de campanha do segundo turno, os percentuais são parecidos, com variação positiva de 1% para Alckmin que teve 37,1% de exposição entre os dias 2/10 e 6/10; nesse período Lula teve 59% de exposição.
Lula continuou a ter maior percentual de reportagens negativas (45,1%) do que positivas (25%).
A principal mudança na cobertura das candidaturas foi o fato de a candidatura de Geraldo Alckmin ter tido um percentual de reportagens negativas; 42,4%, superior ao de positivas; 27,1%.
Nas 15 semanas pesquisadas, desde o dia 6 de julho, essa situação só tinha ocorrido duas vezes, entre os dias 19 e 25 de agosto e 26 de agosto e 1º de setembro.
O percentual de reportagens negativas superior ao de positivas se deve à repercussão do debate na TV Bandeirantes; às pesquisas de intenção de voto divulgadas (Ibope e Datafolha); a dificuldade que o candidato vem tendo de se livrar da pecha de privatista, fruto das reiteradas privatizações feitas pelo PSDB em seus governos e as declarações do seu assessor econômico, Yoshiaki Nakano, que propôs cortes no orçamento na ordem de R$ 60 bilhões.
Neste relatório ainda não estão computadas a repercussão da reportagem da Carta Capital que apontou o benefício recebido pela candidatura tucana por ocasião do dossiê, da divulgação das fotos do dinheiro e a maneira como a imprensa cobriu todo o episódio (ver reportagem no site).
O desequilíbrio na cobertura das candidaturas à presidência da República vem sendo apontado pela pesquisa desenvolvida pelo Observatório Brasileiro de Mídia. Na última semana jornalistas conceituados como Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif, comentaram em seus blogs sobre o posicionamento da mídia. Luis Nassif caracteriza a reportagem da Carta Capital de “uma aula de jornalismo sobre o antijornalismo que parece ter tomado definitivamente conta da mídia”. Paulo Henrique Amorim afirmou que “Um golpe de Estado levou a eleição para o segundo turno”.
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